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Abstrato


Incontrolável este sentimento de culpa e dor
Acostumado a andar pelo caminho errado
Acostumado a pagar pelos pecados
Mesmo que nunca existiram
Evitando o descaso
Obscurecendo o incalculável

Temo tanto me ver assim
Tanto não ter você perto de mim
Incontrolável este sentimento
Incontrolável minhas palavras
Depois de tanto tempo intocável
Quando tocado não sabe como se portar

Eu tento desesperado mostrar o valor
Eu tento fazer o que há de amor
Mostrar se por si só
Inegável, indomável, interminável
Sentimento duro, de tanto apanhar acostumou-se a não se mostrar
Encouraçado em sua armadura,
Fechado em sua concha escura
Você não consegue me escutar


Horizonte

e se não mais existir limites

e se não mais eu disser te amo

diria a mim mesmo uma mentira?

diria a mim mesmo que é finado o que o final pegou?

e se não mais tiver barreiras?

e se você não mais me quiser?

pregado em dor acatando ordens

deixado de lado

humilhado perante homens

diria que seria o fim?

diria que seria um coitado?

e se você não me ouvir?

e se não mais nos falarmos?

seria isso o sinal da morte?

ou gosto de seus lábios frios em minha boca sombria?

e se não viesse as ordens?

e se não houver mais historia?

quanta gente nobre iria se desfrutar de um caminho único

bipolar

diante de olhos frios

diante de uma só palavra

faz de mim a duvida

em duvida

pois tudo tem um fim

e o fim perto de tudo esta


Simplorio Incorrigivel

e se ela não mais me amar

eu me perderia em torno de dias noturnos

em sombras claras de desespero e dor

não por seu amor

ou pela falta que ela me faz

 

e se eu não mais me levantar

eu diria que estou moribundo vivendo plenamente

em abismos profundos

não por achar que não mereço

ou por não querer me afastar dos males

 

e seu eu não mais tiver duvidas

não por achar que estou certo

mas por querer definitivamente uma bala doce como seu beijo

eu diria que estaria feliz se assim fosse

não por não estar, mas por me fazer assim


Um para o outro


Tão contente imaturo e doce a dor do amor,
Feitos um para o outro,
Como o cheiro e a flor,
Perdendo sempre o mais importante,
A razão para o amor,

Simples e obvio quando tudo aconteceu,
Uma pedra caindo,
Um sonho como o seu,
Tão contente e imaturo,
Nosso amor adoeceu,
E morreu

Tão somente sozinho e incompleto,
Eu vi o doce se tornar amargo,
Você não estava ali,
Me perdi sem você,
E você era a única que podia me salvar
E me salvou,

Em teu colo eu deito e ouço o dia me falar,
Me lembro de um tempo que não foi meu,
E meu sempre será,
Me olho em seus olhos e completo em sua boca,
Tão somente um dia,
Para sempre te amar


Suas palavras

Não são mais meras palavras,
Vejo como tudo aconteceu,
Caminhei diante de você ,
Procurei entender tuas palavras,

E sobre tudo que vejo
Eles sabem mesmo como me encontrar,
Caminhando em sua direção
Eu te vejo como um espelho

Ninguém pode me tocar,
Faríamos tudo novamente,
Completamente incontrolável
São os sonhos que não podemos sonhar


Eterno

não ha amor no mundo,
que por mais absurdo,
possa curar um coração quebrado,
no maximo o amor ensina a esquecer aquela dor,
mas no fundo,
a dor sabe que nunca sumirá


A corrente

não sou o bem nem o mal
sou o ar de dor, o conflito interior de que o nada existe
e se existe nada ira mudar,
não ha caminho sem volta dores que não se mostra
capaz de imobilizar um senhor

firme e impuro, pois dele já se afirmou tudo,
e agora nada se firma mais,
incapaz, infeliz, intolerante a tudo o que se volta contra ele
vivo ou morto, sempre disposto a tentar outra vez

sofrendo o desgosto de ser assim,
involuntário, sarcástico, o velho  homem se confinou,
as trancas de seu coração solto, morto pelo tempo em que foi posto,
na jaula que o acorrentaram,
achou que poderia mudar

e o tempo passa nada mais ele fala,
alem de que tentou,
entregue sempre as baratas,
pois nada dele se retirou,

iludido, indolor, foi tudo o que causou a perda de uma grande moeda,
a única que sobrou,
daquele tempo antigo onde ele era o amigo,
e ela o beija flor,
ferido a vida ele deixou.


Espelhos passados

“nada se sabe alem do que me veio o acaso,
tudo digo,
tudo faço,
mas quando falar se espelhos não podem refletir o que penso ou o que faço,
quando se erguer se o céu te empurra para baixo,
quando viver se seu coração esta dilacerado,
com incertezas exatas,
glorias passadas que insistem em não te deixar,
quando viver o dia seguinte,
se não consegue acordar”


Tempos de nos dois

Em meu mar fascínio negro desvairado
perco me em dias noturnos,
fontes nubladas de prazer incomensurável,
regados a ódio por todos os dias perdidos,
e colos encontrados,
força maior que me move ao seus olhos,
negros de duvidas,
pelas quais caio sem ser notado

em meu mar fascínio me deixo deslocado,
torturado a meia vida,
meio acaso,
doente de visões incríveis,
felizes por não serem verdades,
coerente ao mesmo fascínio,
que em deleite de seu cheiro,
me fiz transcendente a realidade mórbida ao qual era submetido

em meu mar fascínio eixo quebrado,
vi homens serem derrotados,
beijos serem tomados,
e tudo que podia ser fim final complicado,
somente odiado,
por pernas que me fizeram ser o maior de todos,
o honorário,
ilusão de mim mesmo,
um homem quebrado


Ponte Espinho

“não se pode andar por um caminho,

cheio de espinhos,

e pontes quebradas,

se não houver em algum momento,

alguém quem te traga,

a superfície elevada,

de um momento sequer ao seu lado,

não se pode querer a lua,

se não houver quem segura,

a escada pontiaguda,

que nos leva ao delírio,

de debruçarmos em braços sólidos,

lençóis amassados,

por não estar mais tão grudado,

como no suor anterior ao sonho,

que um dia andei com você”


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